domingo, 18 de setembro de 2011

Terminologias em Educação Especial

Educação Especial – processo de desenvolvimento global das potencialidades de pessoas com deficiência, de condutas típicas e de altas habilidades e que abrange os diferentes níveis e graus do sistema de ensino. Na LDB é entendida segundo Libâneo (2000), como modalidade oferecida para o educando com necessidades especiais preferencialmente na rede regular de ensino.

Necessidades Educativas Especiais - o MEC (2004) na Declaração de Salamanca conceitua que o termo necessidades educativas especiais amplia o de deficiência, por quanto se refere a todas aquelas crianças e jovens cujas necessidades se originam em função de deficiências ou dificuldades de aprendizagem. E ainda, que as escolas têm de encontrar maneiras de educar com êxito todas as crianças, inclusive as que têm deficiência grave.

Inclusão Educacional - Garantia do acesso aos conteúdos básicos, àqueles com necessidades educacionais especiais que apresentam: altas habilidades, precocidade, superdotação; condutas típicas de síndromes/quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos; pessoas com deficiências que apresentam significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais. Os sistemas de ensino devem dar respostas às necessidades educacionais de todos os alunos.

Integração - Condução das crianças com deficiência para o espaço escolar ...que pode ser um espaço específico( classe especial). A criança é que se prepara para ir a escola;
O MEC (2004), Carvalho (1997), Kaufman (1975), Warnock (1978) e Mazzota (1982), descrevem o conceito de integração em três dimensões:
- integração física – que envolve o espaço e o tempo de convivência no mesmo ambiente. De maneira que quanto maior o tempo de convivência melhor seriam os resultados.
- integração funcional – supõe a utilização dos mesmos recursos educacionais disponíveis no ensino comum.
- integração social – diz respeito ao processo de integração com o meio, a comunicação e a inter-relação por meio da participação ativa dos grupos na escola e na comunidade.

INCLUSÃO - Todas as crianças têm direito à escola de ensino regular de sua comunidade. A escola se prepara para receber a criança com necessidades educativas especiais. E este preparo deve considerar a formação de professores, adaptação curricular de acesso ao currículo e nos elementos do currículo.
Diante dos dois conceitos é possível observar que integração e inclusão são metáforas distintas, contendo imagens e práticas totalmente diferentes, pois a integração sugere o atendimento às diferenças individuais nas classes especiais, preparando gradativamente o aluno para o ensino regular, enquanto que a inclusão segundo Mittler (2003), exige uma reforma completa das unidades de ensino em termo de currículo, avaliação, objetivos e forma de atendimento dos alunos nas atividades em sala de aula. Inclusão pressupõe diversidade, aceitação, valorização, compromisso, enriquecimento do desenvolvimento social e pessoal do aluno.

Exclusão - É a aceitação da ordem que exclui. Conjunto de situações que impedem o indivíduo de desfrutar de ações e oportunidades que outras pessoas no mesmo contexto atuam.

Deficiência - é o termo usado para definir a ausência ou a disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica. Não podemos fingir que ela não existe. Para Vigotsky(1997) o defeito é limitação, debilidade e diminuição do desenvolvimento, por outro lado, precisamente porque origina dificuldades, estimula o movimento elevado e intensificado para o desenvolvimento. Daí é importante considerar as potencialidades que são provocadas pelo defeito e não o defeito em si.

Incapacidade - Que não se acha em estado de fazer alguma coisa:incapaz de andar. / Que não tem capacidade para; incapaz de governar.(Aurélio, ) Entretanto, para a Educação Inclusiva o sentido de incapacidade é determinado pelo outro. É a sociedade quando não procura alternativas para inserir a pessoa com deficiência. O sujeito com deficiência sente-se incapaz quando a sociedade limita a sua ação em função da sua deficiência.

PNEEs – ( pessoas com necessidades educativas especiais) - é a pessoa que apresenta em caráter permanente ou temporário alguma deficiência física, sensorial, cognitiva, múltipla ou ainda altas habilidades. Necessita de recursos especializados para corrigir ou compensar suas dificuldades.

Diversidade - Qualidade daquilo que é diverso, diferente, variado; conjunto variado, multiplicidade.


REFERÊNCIAS
CARVALHO, Temas em Educação Especial. 3. ed. Rio de Janeiro: WVA, 2003.
___________________Removendo Barreiras para a aprendizagem: Educação Inclusiva. Porto Alegre: Meditação, 2000.
SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão. Construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997. Disponível em:http://www.ufsm.br/ce/revista/ceesp/2000/01/a3.htm. Acesso: 28/102006
TEZANE, Thaís Cristina Rodrigues. Os caminhos para a construção da escola inclusiva: a relação entre gestão escolar e o processo de inclusão.T356cc (Dissertação de Mestrado) Universidade Federal de São Carlos, 2004.

Crianças inquietas ou hiperativas?

Muitas pessoas apresentam dúvidas em relação a seguinte questão: qual a diferença entre a agitação natural das crianças e o transtorno de déficit de atenção?

Sintomas de desatenção e hiperatividade podem ser considerados normais em crianças que acabaram de passar situações de estresse emocional ou conflitos familiares. Nesses casos, em geral as manifestações são passageiras. O que os diferencia do transtorno de déficit de atenção é a duração do problema.
Assim, deve-se ficar atento e verificar se a “inquietude” é insistente – mais de cinco ou seis meses. Isso pode ser sinal de que a desatenção é provocada não por questões pontuais, mas por distúrbios mais profundos.

Principais Sintomas
Desatenção
* Dificuldade em prestar atenção a detalhes ou errar por descuido em atividades escolares e profissionais;
* Dificuldade em manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas;
* Parecer não escutar quando lhe dirigem a palavra;
* Não seguir instruções e não terminar tarefas escolares, domésticas ou deveres profissionais;
* Dificuldade em organizar tarefas e atividades;
* Evitar, ou relutar, em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante;
* Perder coisas necessárias para tarefas ou atividades;
* Ser facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa;
* Apresentar esquecimentos em atividades diárias.
Hiperatividade
* Agitar as mãos, os pés ou se mexer na cadeira;
* Abandonar a cadeira em sala de aula ou em outras situações nas quais se espera que permaneça sentado;
* Correr ou escalar em demasia em situações nas quais isto e inapropriado;
* Dificuldade de brincar ou envolver-se silenciosamente em atividades de lazer;
* Estar freqüentemente "a mil" ou muitas vezes agir como se estivesse "a todo vapor";
* Falar em demasia.
Impulsividade
* Freqüentemente dar respostas precipitadas antes das perguntas terem sido concluídas;
* Apresentar constante dificuldade em esperar sua vez;
* Freqüentemente interromper ou se meter em assuntos de outros

O comportamento hiperativo interfere na vida familiar, escolar e social da criança. As crianças hiperativas têm dificuldade em prestar atenção e aprender. Como são incapazes de filtrar estímulos, são facilmente distraídas. Essas crianças podem falar muito, alto demais e em momentos inoportunos. As crianças hiperativas estão sempre em movimento, sempre fazendo algo e são incapazes de ficar quietas. São impulsivas. Não param para olhar ou ouvir. Devido à sua energia, curiosidade e necessidade de explorar surpreendentes e aparentemente infinitas, são propensas a se machucar e a quebrar e danificar coisas. As crianças hiperativas toleram pouco as frustrações. Elas discutem com os pais, professores, adultos e amigos. Fazem birras e seu humor flutua rapidamente. Essas crianças também tendem a ser muito agarradas às pessoas. Precisam de muita atenção e tranqüilização. É importante para os pais perceberem que as crianças hiperativas entenderam as regras, instruções e expectativas sociais. O problema é que elas têm dificuldade em obedecê-las. Esses comportamentos são acidentais e não propositais.
Dicas:
Se a escola levantou um problema, ele deve ser levado para um profissional competente que irá orientar a família no melhor caminho a seguir. O primeiro passo, em casos assim, é fazer um diagnóstico cuidadoso, onde se verificará o comportamento da criança em várias situações. Sempre considerando as várias possibilidades do que pode estar ocorrendo com ela.
Se ela apresentar Transtorno Déficit atenção e hiperatividade é muito importante, se for o caso, que ela use a medicação com a prescrição e o acompanhamento de um médico.
Caso não tenha o transtorno, outras questões podem surgir de modo a permitir entender o quadro e ajudar a criança do melhor modo possível. O importante é que ela seja ajudada em suas reais dificuldades. Só assim ela se sentirá compreendida. O que já será de grande ajuda.
Experimente atribuir uma tarefa pequena e rápida e insista delicadamente para que seja concluída. Em seguida, não deixe de agradecer e elogiar seu filho quando a tarefa tiver sido concluída.
Faça com que a criança participe de projetos que ela goste para ajudá-la a concentrar-se. Aprender a concentrar-se alterará sua resposta ao mundo, gradativamente. Lembre-se sempre de que, além de ter um desequilíbrio do sistema nervoso que transforma em tortura o simples ato de permanecer sentado, a criança hiperativa e inteligente entedia-se facilmente. Coopere com seu filho para ajudá-lo a realmente concluir um projeto. Concluir um projeto oferecerá uma idéia de competência e maior auto-estima. O domínio e conclusão de uma tarefa requer elogio.
"JOHANNA TERAPEUTA OCUPACIONAL"

sábado, 17 de setembro de 2011

Receita de inclusão



Ingredientes:
- 30 a 40 crianças genéricas (isto é, sem rótulos) da mesma faixa etária, ambos os sexos, com habilidades e competências heterogêneas
- 1 a 2 crianças com rótulos catalogados na CID, CIF ou qualquer outra tabela não periódica.
- 1 pacote de apostilas ou livros didáticos pasteurizados (não use produtos in natura que podem atacar os neurônios dos professores)
- 1 pacote de avaliações que sejam rigorosamente idênticas na forma e no conteúdo
- Giz a gosto

Modo de preparação
Pegue todos os ingredientes e coloque num liquidificador da marca "Saladeaula" e bata em alta velocidade por 200 dias letivos, até formar uma pasta completamente homogênea.

Caso, durante o processamento, a massa forme grumos de personalidade, brilhantismo ou atraso, encaminhe o ingrediente resistente para ser dissolvido por um especialista.

Se, mesmo assim, o ingrediente não se adaptar à massa, descarte-o, culpando os fornecedores (da marca PaieMãe) por sua má qualidade ou recomende que seja levado para um liquidificador especial (os melhores são os importados da marca Segregator).

Ao final do processo coe toda a pasta em peneiras de provas locais, regionais, nacionais, internacionais e aeroespaciais. Se você perceber que algum ingrediente corre o risco de não passar na prova e prejudicar o bônus do cozinheiro, sugira que ele fique doente no dia da prova.

Sirva acompanhado de reportagens laudatórias em revistas educação e inclusão.
Descrição da imagem: ilustração de um cozinheiro enfeitando um bolo com creme

Para Refletir

Os Imprescindíveis" - Bertolt Brecht

Há homens que lutam por um dia e são bons.
Há outros que lutam por um ano e são melhores.
Há outros, ainda, que lutam por muitos anos e são muito bons.
Há, porém, os que lutam por toda a vida,
Estes são os imprescindíveis.
Inclusão Social.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Dicas sobre como expressar-se e agir frente à deficiência



  • Não use "deficiente físico" para se referir às pessoas com deficiência em geral. Esse termo só deve ser usado para pessoas com dificuldades motoras, como paralisia cerebral, tetraplegia e outras ligadas a questões que envolvem a mobilidade. Pessoas com deficiência auditiva ou visual possuem uma deficiência sensorial, não física.
  • Não diga "deficiência permanente", as deficiências por definição são permanentes. Alguém com dificuldade para ver, mas que poderia usar um óculos para resolver seu problema, não é um portador de deficiência visual. Uma pessoa engessada ou acamada está incapacitada temporariamente
  • Não diga "sofreu de paralisia infantil" ou "foi vítima de paralisia infantil". Diga que a pessoa possui seqüelas da doença poliomielite que acarretaram uma deficiência física.
  • Não utilize termos pejorativos como ceguinho, mudinho, inválido, excepcional, anormal, aleijado, retardado, mutilado, débil mental, perneta ou maneta.
  • Jamais use o termo mongolóide. Substitua-o por pessoa com síndrome de Down
  • Substitua leproso por hanseniano.
  • Não use surdo-mudo, a pessoa com deficiência auditiva tem dificuldades para falar, mas não é muda. Existe a preferência dentre essas pessoas pelo termo "surdo(a)", quando se refere à surdez profunda
  • O autismo não deve ser considerado uma deficiência mental.
  • O mal de Parkinson é um distúrbio neurológico, não uma deficiência mental.
  • Não confunda doença mental com deficiência mental. Psicose, esquizofrenia e obsessão maníaco-depressiva, por exemplo, são doenças tratáveis.
  • Não trate a pessoa com deficiência como uma criança ou uma pessoa assexuada. Fale diretamente com ela, não é necessário usar seu acompanhante como intermediário, basta ter paciência.
  • Antes de oferecer ajuda, pergunte se ela é necessária. Muitas vezes essa pessoa tem capacidades que você não conhece.
  • Não diga "preso/confinado ou condenado em uma cadeira de rodas". Esse instrumento é um facilitador da mobilidade das pessoas com deficiência física. Use "ele está em cadeira de rodas" ou ela "usa uma cadeira de rodas". As pessoas nessa condição costumam referir-se a si mesmas como "cadeirantes" ou "chumbados".
Na dúvida, consulte os próprios deficientes ou as entidades representativas da área para informar-se sobre a terminologia mais correta.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Princípios da Inclusão


wAceitação das diferenças individuais,
wValorização de cada pessoa,
wConvivência harmônica dentro da diversidade humana,
wAprendizagem através da cooperação

Autismo


Vocabulário 10 Coisas que toda criança com autismo gostaria que você soubesse

1. Antes de tudo eu sou uma criança.
Eu tenho autismo. Eu não sou somente "Autista". O meu autismo é só um aspecto do meu caráter. Não me define como pessoa. Você é uma pessoa com pensamentos, sentimentos e talentos. Ou você é somente gordo, magro, alto, baixo, míope? Talvez estas sejam algumas coisas que eu perceba quando conhecer você, mas isso não é necessariamente o que você é. Sendo um adulto, você tem algum controle de como se auto-define. Se quer excluir uma característica, pode se expressar de maneira diferente. Sendo criança eu ainda estou descobrindo. Nem você ou eu podemos saber do que eu sou capaz. Definir-me somente por uma característica, acaba-se correndo o risco de manter expectativas que serão pequenas para mim. E se eu sinto que você acha que não posso fazer algo, a minha resposta naturalmente será: Para que tentar?

2. A minha percepção sensorial é desordenada.
Interação sensorial pode ser o aspecto mais difícil para se compreender o autismo. Quer dizer que sentidos ordinários como audição, olfato, paladar, toque, sensações que passam desapercebidas no seu dia a dia podem ser doloridas para mim. O ambiente em que eu vivo pode ser hostil para mim. Eu posso parecer distraído ou em outro planeta, mas eu só estou tentando me defender. Vou explicar o porquê uma simples ida ao mercado pode ser um inferno para mim: a minha audição pode ser muito sensível. Muitas pessoas podem estar falando ao mesmo tempo, música, anúncios, barulho da caixa registradora, celulares tocando, crianças chorando, pessoas tossindo, luzes fluorescentes. O meu cérebro não pode assimilar todas estas informações, provocando em mim uma perda de controle. O meu olfato pode ser muito sensível. O peixe que está à venda na peixaria não está fresco. A pessoa que está perto pode não ter tomado banho hoje. O bebê ao lado pode estar com uma fralda suja. O chão pode ter sido limpo com amônia. Eu não consigo separar os cheiros e começo a passar mal. Porque o meu sentido principal é o visual. Então, a visão pode ser o primeiro sentido a ser super-estimulado. A luz fluorescente não é somente muito brilhante, ela pisca e pode fazer um barulho. O quarto parece pulsar e isso machuca os meus olhos. Esta pulsação da luz cobre tudo e distorce o que estou vendo. O espaço parece estar sempre mudando. Eu vejo um brilho na janela, são muitas coisas para que eu consiga me concentrar. O ventilador, as pessoas andando de um lado para o outro... Tudo isso afeta os meus sentidos e agora eu não sei onde o meu corpo está neste espaço.

3. Por favor, lembre de distinguir entre não poder (eu não quero fazer) e eu não posso (eu não consigo fazer)
Receber e expressar a linguagem e vocabulário pode ser muito difícil para mim. Não é que eu não escute as frases. É que eu não te compreendo. Quando você me chama do outro lado do quarto, isto é o que eu escuto "BBBFFFZZZZSWERSRTDSRDTYFDYT João". Ao invés disso, venha falar comigo diretamente com um vocabulário simples: "João, por favor, coloque o seu livro na estante. Está na hora de almoçar". Isso me diz o que você quer que eu faça e o que vai acontecer depois. Assim é mais fácil para compreender.

4. Eu sou um "pensador concreto" (concrete thinker).
O meu pensamento é concreto, não consigo fazer abstrações. Eu interpreto muito pouco o sentido oculto das palavras. É muito confuso para mim quando você diz "não enche o saco", quando o que você quer dizer é "não me aborreça". Não diga que "isso é moleza, é mamão com açúcar" quando não há nenhum mamão com açúcar por perto e o que você quer dizer é que isso e algo fácil de fazer. Gírias, piadas, duplas intenções, paráfrases, indiretas, sarcasmo eu não compreendo.

5. Por favor, tenha paciência com o meu vocabulário limitado.
Dizer o que eu preciso é muito difícil para mim, quando não sei as palavras para descrever o que sinto. Posso estar com fome, frustrado, com medo e confuso, mas agora estas palavras estão além da minha capacidade, do que eu possa expressar. Por isso, preste atenção na linguagem do meu corpo (retração, agitação ou outros sinais de que algo está errado). Por outro lado, posso parecer como um pequeno professor ou um artista de cinema dizendo palavras acima da minha capacidade na minha idade. Na verdade, são palavras que eu memorizei do mundo ao meu redor para compensar a minha deficiência na linguagem. Por que eu sei exatamente o que é esperado de mim como resposta quando alguém fala comigo. As palavras difíceis que de vez em quando falo podem vir de livros, TV, ou até mesmo serem palavras de outras pessoas. Isto é chamado de ECOLALIA. Não preciso compreender o contexto das palavras que estou usando. Eu só sei que devo dizer alguma coisa.

6. Eu sou muito orientado visualmente porque a linguagem é muito difícil para mim.
Por favor, me mostre como fazer alguma coisa ao invés de simplesmente me dizer. E, por favor, esteja preparado para me mostrar muitas vezes. Repetições consistentes me ajudam a aprender. Um esquema visual me ajuda durante o dia-a-dia. Alivia-me do stress de ter que lembrar o que vai acontecer. Ajuda-me a ter uma transição mais fácil entre uma atividade e outra. Ajuda-me a controlar o tempo, as minhas atividades e alcançar as suas expectativas. Eu não vou perder a necessidade de ter um esquema visual por estar crescendo. Mas o meu nível de representação pode mudar. Antes que eu possa ler, preciso de um esquema visual com fotografias ou desenhos simples. Com o meu crescimento, uma combinação de palavras e fotos pode ajudar mais tarde a conhecer as palavras.

7. Por favor, preste atenção e diga o que eu posso fazer ao invés de só dizer o que eu não posso fazer.
Como qualquer outro ser humano não posso aprender em um ambiente onde sempre me sinta inútil, que há algo errado comigo e que preciso de "CONSERTO". Para que tentar fazer alguma coisa nova quando sei que vou ser criticado? Construtivamente ou não é uma coisa que vou evitar. Procure o meu potencial e você vai encontrar muitos! Terei mais que uma maneira para fazer as coisas.

8. Por favor, me ajude com interações sociais.
Parece que não quero brincar com as outras crianças no parque, mas algumas vezes simplesmente não sei como começar uma conversa ou entrar na brincadeira. Se você pode encorajar outras crianças a me convidarem a jogar futebol ou brincar com carrinhos, talvez eu fique muito feliz por ser incluído. Eu sou melhor em brincadeiras que tenham atividades com estrutura começo-meio-fim. Não sei como "LER" expressão facial, linguagem corporal ou emoções de outras pessoas. Agradeço se você me ensinar como devo responder socialmente. Exemplo: Se eu rir quando Sandra cair do escorregador não é que eu ache engraçado. É que eu não sei como agir socialmente. Ensine-me a dizer: "você esta bem?".

9. Tente encontrar o que provoca a minha perda de controle.
Perda de controle, "chilique", birra, mal-criação, escândalo, como você quiser chamar, eles são mais horríveis para mim do que para você. Eles acontecem porque um ou mais dos meus sentidos foi estimulado ao extremo. Se você conseguir descobrir o que causa a minha perda de controle, isso poderá ser prevenido - ou até evitado. Mantenha um diário de horas, lugares pessoas e atividades. Você encontrar uma seqüência pode parecer difícil no começo, mas, com certeza, vai conseguir. Tente lembrar que todo comportamento é uma forma de comunicação. Isso dirá a você o que as minhas palavras não podem dizer: como eu sinto o meu ambiente e o que está acontecendo dentro dele.

10. Se você é um membro da família me ame sem nenhuma condição.
Elimine pensamentos como "Se ele pelo menos pudesse." ou "Porque ele não pode." Você não conseguiu atender a todas as expectativas que os seus pais tinham para você e você não gostaria de ser sempre lembrado disso. Eu não escolhi ser autista. Mas lembre-se que isto está acontecendo comigo e não com você. Sem a sua ajuda a minha chance de alcançar uma vida adulta digna será pequena. Com o seu suporte e guia, a possibilidade é maior do que você pensa. Eu prometo: EU VALHO A PENA. E, finalmente três palavras mágicas: Paciência, Paciência, Paciência. Ajuda a ver o meu autismo como uma habilidade diferente e não uma desabilidade. Olhe por cima do que você acha que seja uma limitação e veja o presente que o autismo me deu. Talvez seja verdade que eu não seja bom no contato olho no olho e conversas, mas você notou que eu não minto, roubo em jogos, fofoco com as colegas de classe ou julgo outras pessoas? É verdade que eu não vou ser um Ronaldinho "Fenômeno" do futebol. Mas, com a minha capacidade de prestar atenção e de concentração no que me interessa, eu posso ser o próximo Einstein, Mozart ou Van Gogh. Eles também tinham autismo, uma possível resposta para alzaheim o enigma da vida extraterrestre - O que o futuro tem guardado para crianças autistas como eu, está no próprio futuro. Tudo que eu posso ser não vai acontecer sem você sendo a minha base.

Pense sobre estas "regras" sociais e se elas não fazem sentido para mim, deixe de lado. Seja o meu protetor seja o meu amigo e nós vamos ver ate onde eu posso ir.
CONTO COM VOCÊ!
Fonte: Autimismo | Ellen Nottohm, tradução livre Andréa Simon
Texto adaptado para divulgação no site do Instituto Indianópolis.